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Allan Kardec
 Allan Kardec - 1804/1869

ALLAN KARDEC

Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, identidade animada numa antiga encarnação quando foi um sacerdote druida, nasceu na cidade de Lyon em 03/10/1804 e desencarnou em Paris em 31/03/1869.

Filho único de uma grande família católica de juristas, desde a juventude sentiu-se atraído para as ciências e a filosofia.

Após os primeiros estudos na grande cidade do Rhône, continuou seu aprendizado na Suíça, em Yverdon, junto ao célebre pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), que, impregnado pelas obras do filósofo Jean Jacques Rosseau (1712-1778) entraria para a história como o precursor do ensino moderno.

Lyon - Século 19
 Lyon - Século 19

Pestalozzi tinha como técnica confiar à memória do aluno aquilo que ele tinha apreendido (captado pela sua inteligência). Este período é primordial na vida de Rivail. É quando aprende o sentido do rigor e da reflexão. As qualidades de coração e a capacidade intelectual são notadas rapidamente pelo mestre, de quem torna-se discípulo e a quem passa a substituir na sua ausência. Rivail consegue o seu diploma de professor e de médico.

Ainda jovem domina perfeitamente o inglês, o alemão e o holandês. De retorno a Paris funda uma escola nos mesmos moldes da instituição de Yverdon. O mundo do ensino provoca o seu encontro com Amélie Boudet, a companheira infatigável de todas as horas. O casamento realizado em 06/02/1832 dura além da matéria.

Paris - Século 19
 Paris - Século 19

Trabalhador laborioso e infatigável, Kardec redige de 1831 a 1848 numerosas obras escolares e traduz para o francês diversos livros. O excesso de trabalho não o impede de dar, gratuitamente, cursos noturnos de química, física, astronomia e anatomia comparada. Membro de várias sociedades sábias, e coroado por algumas delas, vê a universidade da França adotar suas obras pedagógicas.

Ainda em 1854, Rivail ouve falar pela primeira vez das mesas girantes. Ele tem 50 anos quando é levado pelo amigo e magnetizador monsieur Fortier, que conheceu por ocasião de seus estudos em magnetismo, a uma reunião. No ano seguinte o amigo Carlotti fala durante cerca de uma hora sobre o mesmo fenômeno. Solicitado por alguns amigos para assistir a algumas sessões, vai à casa da sonâmbula Sra. Roger no mês de maio de 1855, freqüentando muito também as reuniões das senhoritas Baudin.

Em 18 de abril de 1857 lança O Livro dos Espíritos com os ensinamentos recolhidos durante as sessões que presenciou. Oito meses mais tarde, em 1/1/1858, lança o primeiro número da Revista Espírita. No mesmo ano funda a Sociedade de Paris. Nesse tempo é caluniado e perseguido, mas corajosamente avança e passa a relacionar-se com os espíritas do mundo inteiro. Reunindo todas as comunicações recebidas, lança sucessivamente O Livro dos Médiuns (janeiro de 1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (abril de 1864), O Céu e o Inferno (1 de agosto de 1865) e A Gênese (janeiro de 1868), que compõem o pentateuco kardequiano.

Auto de fé de Barcelona
 Auto de Fé de Barcelona

Em 9 de outubro de 1861 acontece o auto de fé de Barcelona: O Bispo de Barcelona queima cerca de 300 livros espíritas. A grande massa de pessoas presente no ato macabro assobia e gesticula não entendendo como aquilo podia acontecer na metade do século 19.

Os Espíritos pediram a Kardec para não realizar nenhuma ação diplomática, pois o ato servia aos interesses do plano espiritual. A imprensa (espanhola e internacional) deu tamanho eco ao acontecido que quem nunca ouvira falar do Espiritismo, sentiu-se impulsionado a procurar as causas de tanta barbárie e intolerância.

Surpreendido por um problema no coração, Kardec morre de aneurisma em 31/03/1869, aos 65 anos. Espírito de muita grandeza, com instrução vasta e variada, ele parte na qualidade de maior representante da filosofia dos espíritos.

Jamais, em momento algum, se serviu da Doutrina para atingir qualquer glória, por mais ilusória que fosse. Seu único desejo era ver a idéia espírita triunfar em benefício da humanidade, que ele amava acima de tudo.